FÚLVIO GIULIANO, UM ALPINO DEVOTADO À ARTE SACRA

Por Nilson Montoril


Em junho de 1962, com 23 anos de idade, desembarcava no porto de Santana, o mestre bacharel construtor, Fúlvio Giuliano, para atuar como missionário leigo e mestre de obras  na então Prelazia de Macapá. Sua vinda se deveu a um convite formulado por Don Aristides Piróvano, que então exercia o cargo de bispo Prelado de Macapá e coordenava a equipe de sacerdotes do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras-PIME, na capital do Território Federal do Amapá. O convite tinha o seguinte teor: “Caro Fúlvio, já o consideramos membro do pequeno exército dos missionários de Macapá. Venha logo! Fúlvio respondeu que aceitava o convite e realizou a travessia do Oceano Atlântico a bordo de um navio cargueiro italiano que veio embarcar minério de manganês, no píer da Indústria e Comércio de Minérios S.A – ICOMI. Aproveitou os 16 dias em que permaneceu a bordo para pintar diversas telas. 
 A transfiguração de Jesus Cristo.

Fúlvio Giuliano devotou-se à catequese, fazendo valer seu dote artístico. O próprio artista plástico assim detalhou esta experiência: “Todo sábado, ao meio dia, eu reunia em grande galpão, cerca de 200 jovens. Utilizava uma enorme lousa e gizes coloridos para lhes contar a história da salvação, o amor de Jesus, sua vida e seus milagres. Lentamente, desenhos super-coloridos e algumas frases do evangelho cobriam a lousa.Os jovens, muitos sentados em longo banco de madeira, com pedaço de compensado sobre os joelhos, transformavam-se em pequenos artistas e, ao mesmo tempo, aprendiam a amar Jesus e a Igreja, e tratar-se como irmãos”. O galpão em questão era o Salão Paroquial Pio XII, edificado na área posterior aos dois prédios da Prelazia de Macapá, à época conhecida como quintal dos padres.O imóvel correspondia a um barracão coberto de palha, com dezenas de bancos distribuídos no amplo salão, dotado de palco e cabine para projeção cinematográfica.

O ícone que vemos acima  recebeu o titulo de "Natividade de Jesus Cristo" e foi elaborado com redobrado carinho por Fúlvio Giuliano.

Entre os anos de 1962 a 1968, Fúlvio Giuliano desenvolveu diversas atividades, inclusive as relacionadas com sua profissão de arquiteto, auxiliando o Dr. Marcelo Cândia na edificação do Hospital São Camilo e São Luiz. Ele também concebeu os projetos arquitetônicos das igrejas de São Benedito(pedra fundamental em 24/6/1963 e inauguração no Natal de 1964), Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro(inaugurada dia 12/4/1981). Pintou expressivos afrescos em diversas igrejas de Macapá e participou de muitos salões de arte, com destaque para o I Salão de Artes do Colégio Amapaense, organizado pelo Professor Antônio Munhoz Lopez, onde o ilustre arquiteto mostrou 14 quadros da Via Sacra e I Salão de Artes Plásticas da Universidade Federal do Pará, com menção honrosa pela tela “Arraial de São José em Macapá”. No III Salão de Artes de Macapá, realizado no dia 13 de setembro de 1967, Fúlvio Giuliano participou expondo as telas “Escada de Jacó”, “Lava Pés” e “Passagem do Mar Vermelho”. A tela “Escada de Jacó” pertencia ao Dr. Marcelo Cândia, mas hoje integra o acervo do Professor Munhoz. 

Neste ícone, Padre Fúlvio Giuliano retratou famosos líderes religiosos e pessoas que se devotaram ás causas humanitárias. Entre estas criaturas abençoadas por Deus, vislumbramos o Dr. Marcelo Cândia, com o qual o então arquiteto e irmão leigo, Fúlvio, trabalhou na edificação do Hospital São Camilo e São Luiz, em Macapá.
 
 
Tive a grata oportunidade de ver o então irmão leigo Fúlvio Giuliano pintando um afresco na sala que servia de sede à Federação Infanto-Juvenil Oratoriana, FIJO, no térreo do primeiro prédio da Prelazia de Macapá. As imagens eram desproporcionais e foram feitas com lápis cera. Representavam a criação do universo. Da enorme mão direita do Criador saiam feixes luminosos de luz. Na sala em referência, funciona atualmente, a loja das edições paulinas. O afresco não foi preservado. Também fui aluno de desenho do ainda jovem Fúlvio Giuliano, na 4ª Série B do Colégio Amapaense, em 1964. Seus alunos achavam divertido ele denominar os instrumentos de desenho com nomes italianos, como a régua, que ele chamava de ripa. 
 
 Padre Fúlvio e dois discipulos na Escola  Iconográfica SCS São Francisco Xavier-PIME, em Gênova, fazendo a Oração do Iconoco
 
 
Fúlvio Giuliano costumava dizer: “Pertenço a uma família de pintores. Meu avô, um farmacêutico de Palermo, tinha uma grande sensibilidade artística. Ele era um músico e pintor, e enviou-me para meu irmão gêmeo e esta sensibilidade”.“O encontro decisivo de Fúlvio Giuliano com a arte sacra aconteceu na ermida de San Salvatore grama, quando ele tinha 15 anos e ficou impressionado com o afresco medieval na capela do eremitério. O afresco apresentava Cristo crucificado num céu escuro, mas o corpo não estava morto e sim, muito vivo ligeiramente curvado, preservando sua majestade”. Em 1968, Fúlvio Giuliano mudou-se para Belo Horizonte para estudar teologia e receber o Sacramento da Ordem. Aproveitava as horas de folga para pregar os evangelhos nas favelas que existiam perto do seminário. Concluído o curso retornou a Macapá, onde, no dia 3 de janeiro de 1971, foi ordenado sacerdote. Entrou no Instituto da promessa a 13 de março de 1980. Permaneceu em Macapá até 1985, ocasião em que retornou à Itália, sua terra natal, para tratar dos rins, haja vista que o péssimo funcionamento dos mesmos tornou precário seu estado de saúde. Inicialmente ficou em Monza como pai espiritual e chefe da igreja pública. Depois, residiu em Gênova-Nervi, submetendo-se a freqüentes seções de diálise. 
 
Ícone Jesus Cristo no Horto das Oliveiras,correspondente à primeira estação da Via Sacra que Fúlvio Giuliano pintou para várias igrejas da Itália e do exterior


Na Itália, entre 1986 e 2004, Fúlvio Giuliano pintou dezenas de ícones em igrejas: 6 em Terni; 21 em Milão; 18 estações da Via Sacra na capela Seminário Teológico, um ícone da Santíssima Trindade, um de Cristo em Glória,em Monza; 18 estações da Via Sacra em Bucarasco; 2 na igreja de São João; 14 estações da Via Sacra em Genoa, um afresco em Valtellina. “Em 50 anos, padre Fúlvio pintou mais de mil ícones. Muitos são encontrados em sua pátria, o Brasil, onde viveu 23 anos. Os outros estão espalhados por todo o mundo, da Guiné Bissau para a China, nas igrejas das florestas e nas catedrais das grandes cidades”. Seu último trabalho foi a composição de 13 painéis com a figura de Cristo, Maria Santíssima e os apóstolos pata a obsede da Catedral de São José, em Macapá, encomendada pelo Bispo Diocesano Don Pedro José Conti. Sentindo que a vida se esvaia, Fúlvio solicitou ao irmão Franco Giuliano que completasse a obra, o que foi feito com muito esmero. Nasceu em Milão, a 6 de março de 1939, no bairro popular de Giovanni Belline e faleceu em Gênova, dia 5 de junho de 2007, as 10h30, com 68 anos. O Padre Luciano Lazerri assim se reportou à morte de Fúlvio Giuliano: “Fúlvio morreu esta manhã em uma cama de hospital, após mais outro hospital, para seus muitos males. Durante a última hora tem visto perto de seu irmão Franco e seus irmãos da casa do PIME em Nervi. Ele nos deixou calmamente, levado para o céu pelos anjos, os anjos maravilhosos que pintaram os ícones agora difundidos em muitas partes da terra”.

O Professor Antônio Munhoz Lopez possue em seu acervo 3 importantes quadros que foram mostrados em exposição recente organizada pelo SESC-Araxá. Fúlvio Giuliano pintou o quadro da esquerda e do centro, intitulados " Santo  Antônio Doutor da Igreja" e "São Bento". O quadro da direita retrata Santa Escolástica e foi produzido por Franco Giuliano, irmão do Padre Fúlvio.


A cerimônia fúnebre aconteceu na capela de São Erasmo, em Nervi, numa 5ª feira, dia 7 de julho, as 11h45. O corpo do Padre Fúlvio Giuliano foi sepultado no cemitério de Grugana, após breve parada no Seminário de Monza. Este artigo foi composto graças às informações que obtive junto a várias fontes italianas, mormente postadas por Emanuela Cittério, Padre Luciano Lazerri e pelo PIME.


Capa do livro "A Beleza Salvará o Mundo", elaborado por Fúlvio Giuliano.


 Foi durante umas férias,em 1980,passadas na Itália, que Fúlvio Giuliano frequentou um curso de iconografia, na escola "Russia Cristiana" e decidiu que, daquele momento em diante, se dedicaria à arte icônica. Em 2004, recordando a esta decisão, assim falou: "O ícone é um mistério,permite representar a imagem profunda e eterna de Cristo na sua humanidade e divindade". Entre seus ícones enviados para o exterior, existe um com semblante chines e inscrição em mandarim, doado a uma comunidade cristã da área de Cantão.Ele produziu telas para as igrejas onde atua o PIME.




DUCA SERRA, O APOLOGISTA DA EDUCAÇÃO!


Por João Silva (jornalista)
Não se pode falar de Macapá sem falar em Duca Serra. Nasceu em 20 de março de 1912, no Formigueiro (Largo dos Inocentes), onde residiam seus pais, João Câncio e Tereza da Conceição.


Homem maduro, 26 anos de idade, em 1938, interrompeu noivado de oito anos para casar com a primeira namorada, a macapaense Antônia Picanço e Silva. Cortejo do seu casamento, numa deferência do Intendente, saiu da sede da Intendência, na Avenida Mário Cruz, para a Igreja de São, a pé.



IGREJA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO


Nossa Senhora da Conceição é a santa e padroeira do Trem, um dos bairros mais tradicionais de Macapá. A sua igreja tem mais de 60 anos, sendo a segunda mais antiga da cidade, perdendo apenas para igreja de São José que foi construída em 1761 e é um dos monumentos mais antigos da cidade.
A sua história começou quando o Padre Arcangelo Cequa benzeu e entronizou, em três de dezembro de 1949, a estátua de N. S., inaugurando a primeira Capela do Bairro do trem, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Foi ela adaptada numa casa de madeira, cedida pelo prof. Dionísio Monteiro, localizada em frente a atual Sede do Trem Desportivo Clube.
Infelizmente esta primeira Capela foi derrubada por um temporal na madrugada de primeiro de julho de 1950, ficando apenas, milagrosamente, em pé a parede de fundo onde se encontrava a estátua de Nossa Senhora. E em julho desse mesmo ano foram iniciadas as obras, e no dia treze de agosto de 1950, o Padre Antônio Cocco, sem solenidades, celebrou a 1ª Missa, inaugurando a nova Capela, já no terreno da futura Matriz.
Em trinta de maio de 1954 Dom Aristides Piróvano benzeu e inaugurou a nova Matriz construída pelo esforço do Padre Antônio Cocco, PIME. A primeira Pedra tinha sido lançada a primeiro de maio de 1950 e a estatua de Nossa Senhora foi entronizada a vinte e sete de maio de 1954, no fim de uma procissão iniciada em frente à Catedral São José, onde a estátua tinha sido benzida pelo bispo Dom Aristides Piróvano. E é dessa abençoada igreja que a procissão de Corpus Christi inicia todos os anos.

História do carnaval e suas origens


A história do carnaval tem suas origens na Antiguidade, sendo uma festa tradicional e popular que chegou ao Brasil durante a colonização.

O carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Porém, o carnaval não é uma invenção brasileira nem tampouco realizado apenas neste país. AHistória do Carnaval remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.
A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.
Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. AsSaceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.
O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.
O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.
As associações entre o carnaval e as orgias podem ainda se relacionar às festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.
Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.
Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não via com bons olhos as festas. Nessa concepção do cristianismo, havia a crítica da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o demônio.

DANÇA DO MAÇARICO

A dança do Maçarico é mais um dos folguedos típicos do povo brasileiro, praticado com maior expressividade na região Norte do Brasil. Segundo os folcloristas, o local de origem dessa dança é o município paraense de Cametá.
A dança do Maçarico reflete a relação estreita entre os componentes da floresta e as práticas culturais. Seu nome faz menção a uma ave muito comum no Pará, o maçarico. Os passos da dança sugerem semelhanças com o caminhar do pássaro, que usa as pernas compridas e desproporcionais ao corpo para correr com muita rapidez.
Ainda que concebida no Brasil, a dança do Maçarico revela também a influência portuguesa nas práticas culturais desse país; alguns de seus passos lembram danças dos salões da Corte de Portugal.
Sua origem data do final da escravidão, quando começou a ser praticada por caboclos e negros que cantavam os versos imitando as danças lusitanas (portuguesas).
Assim, pode-se afirmar que essa dança é representante do caldeirão cultural brasileiro, constituído através das influências culturais dos colonizadores portugueses, dos grupos indígenas originais e dos negros africanos. Ao mesmo tempo, a dança do Maçarico revela, com clareza, a influência das condições presentes no meio natural na cultura de um povo. A realidade local foi incorporada à manifestação, tornando-a singular, possuidora de características próprias. Tais condições levaram à constituição de uma prática cultual única, fruto da associação entre o movimento de um elemento natural e fatores histórico-sociais.
Apresentada em grupos de casais, seus versos são cantados pelos próprios dançantes, geralmente puxados pelas mulheres. Tendo como referência o cadenciar da música, a coreografia segue exatamente o que diz a letra no momento do coro; os passos variam de pequenos saltos a passadas que acontecem de forma acelerada, composta, ainda, por movimentos de danças portuguesas.
Os instrumentos musicais e as vestimentas utilizadas nessa dança são semelhantes a muitas outras práticas culturais do estado do Pará e da região Norte do Brasil, como, por exemplo, o Carimbó. Variando muito, o figurino parece não seguir uma regra geral, o que se vê são saias e blusas bem coloridas dando leveza e movimento ao sacolejar das roupas, bem ao estilo nortista ritmado pelos tambores, xique-xiques, rabecas, violões, entre outros instrumentos. Ainda que a beleza do figurino seja relevante para as apresentações, o mais importante é que as roupas garantam a leveza, a rapidez exigida pelos movimentos e passos da dança, afirmando, assim, a semelhança com a ave maçarico.
A dança do Maçarico não está ligada a uma prática religiosa ou a uma data comemorativa específica. Sua prática ocorre em diferentes espaços e em qualquer época do ano. Sua finalidade é o entretenimento e o divertimento daqueles que dançam.
Essa dança é praticada por diversos grupos folclóricos. A ação desses grupos é responsável pela manutenção da prática cultural, bem como pelo seu reconhecimento pelos grupos mais jovens.

A Dança do Siriá

O elemento natureza unido as influência de diversas culturas já existentes, criam novas visões e manifestações. A Dança do Siriá é uma dança em devoção e agradecimento aos deuses, que hoje, expressa a alegria do povo da região Norte do Brasil.
Musicalmente, o Siriá herdou fortes expressões dos batuques africanos, tendo origem na cidade paraense de Cametá. Embora essa tradição folclórica tenha muitos elementos da cultura dos grupos negros africanos vindos para o Brasil, não se pode omitir a presença de elementos da cultura indígena. 

Para os grupos indígenas, o Siriá é uma dança de conquista; dança-se para conquistar aquela ou aquela por quem se está apaixonado. Para os negros, a dança faz lembrar os tempos de cativeiro e as estratégias utilizadas para  superar as dificuldades de sobrevivência nesses tempos. 

As histórias sobre a origem do Siriá junto aos grupos negros afirmam que os escravos trabalhadores nas fazendas eram mal alimentados e trabalhavam durante todo o dia, sem comer quase nada. Ao final do dia, quando podiam descansar, usavam do direito de caçar ou pescar, buscando, com o fruto dessas ações, suprir a falta de alimentação. Durante a noite, o escuro das florestas os impedia de caçar, e os negros escravos iam até as praias tentar pegar algum peixe trazido pela maré. Ainda assim, a quantidade de peixe que pegavam era insuficiente para satisfazer a fome de todos.


Um dia, porém, como num milagre, apareceu, na praia, uma quantidade incalculável de siris que se deixavam pescar sem afugentar, tornando possível saciar a fome de todos os escravos que estavam ali. Esse episódio começou a se repetir em quase todos os finais de tarde. Os negros atribuíram esse  milagre aos deuses que os protegiam e que mereciam, portanto, ser homenageados. Nasce assim a dança do Siriá.


O nome Siriá se deve ao sotaque dos negros ao pronunciarem algumas palavras: a plantação de café, chamada de cafezal, era pronunciada como cafezá, a de arroz, arrozá, a de cana, canaviá. Os escravos associaram a abundância de siris a uma plantação, suficiente para alimentá-los todos os dias. Uma plantação de siri, portanto, seria um Siriá. 



Nos dias de hoje, o Siriá traz, em suas letras e movimentos, elementos que lembram mais o sentido indígena da dança, ou seja, a conquista daquele por quem se está apaixonado. Por isso, estudiosos que pesquisam sobre o folclore amazonense chamam a dança do Siriá de “dança do amor idílico”, que quer dizer amor poético, suave, atribuído à beleza da execução dos passos. As roupas usadas na dança são um espetáculo à parte. Coloridas e adornadas, as mulheres costumam trajar blusas rendadas de cor clara, saias de roda e bem armadas e colares e pulseiras feitas das sementes amazônicas valorizando ainda mais a cultura local. Nos cabelos, são feitos arranjos com flores. Os homens, com uma fralda amarrada à frente em cima da camisa colorida e calça de tom escuro, dançam descalços, assim como as mulheres. Na cabeça, usam chapéu com flores, que, no decorrer da apresentação, são colhidas pelas dançarinas, demonstrando alegria através das acrobacias feitas com a barra da saia.


Os movimentos dos dançarinos indicam que o Siriá, além das influências indígena e africana, apresenta elementos e características herdadas dos portugueses. O Siriá é dançado com os braços erguidos para cima, uma característica típica das danças folclóricas originárias de Portugal. Ao mesmo tempo, tambores e batuques produzem um ritmo do batuque tipicamente africano, enquanto muitos de seus movimentos corporais são típicos das danças indígenas.


O Siriá é uma dança que simboliza um ritual de agradecimento e de alegria em devoção à proteção divina. Nos dias de hoje, a Dança do Siriá está totalmente desvinculada dos fatores religiosos que originaram o festejo. Hoje, tornou-se uma manifestação cultural com a intenção de divertir e alegrar os dançantes.

fonte: http://173.203.31.59/Portal.Base/Web/VerContenido.aspx?ID=205868

Lundu – Danças e Ritmos do Brasil.


Lundu, também chamado de Lundum caracteriza-se por um gênero musical e dança folclórica de origem afro-brasileira criada a partir dos Batuques dos escravos. No período da escravidão, os negros realizavam suas tradições religiosas, cantavam e dançavam para manifestação de sua cultura. No final do século XVIII, o Lundu já se torna presente tanto no Brasil quanto em Portugal, tendo influência cultural de tais países.
O ritmo e a dança foram sofrendo modificações no decorrer do tempo, porém a evidência maior é a sensualidade. Apresenta rebolados e “quebras” de quadris, característicos dos movimentos africanos e herdou da cultura européia, a melodia e harmonia para a composição musical.
Durante o século XIX, o Lundu foi considerado um ritmo dominante e aceito pelos brancos. Entretanto, no início do século XX, deixa de ser símbolo de identidade e proibido por ser considerada uma dança que imitava o ato sexual, um atento ao pudor. Contudo, alguns escravos continuavam as escondidas a cultivá-la. Tempos depois, o decreto caiu no esquecimento e o Lundu passou a ser aceito e praticado, mantendo sua principal vertente que é a sensualidade e tornando-se manifestação folclórica. Atualmente, essa dança é praticada em alguns estados do Brasil, principalmente na Região Norte e mais especificamente na Ilha de Marajó, no Pará.
Movimentos Característicos da Dança
Os movimentos são ondulares de grande volúpia, lascivos e lúbricos, apresentam rebolados e maneios dos quadris evidenciando a sensualidade da dança. O lundu possui também influências portuguesas no que diz respeito aos movimentos de sapateados, posturas do corpo, elevação de braços acima da cabeça e marcação com os pés ao ritmo da música.
Coreografia
A coreografia destaca-se como a mais sensual dança folclórica paraense. A história baseia-se em um convite do homem à mulher para um encontro sexual. A dança inicia e o homem convida a dama para dançar, a princípio ela recua, mas diante da insistência do companheiro acaba por aceitar.
Atualmente a coreografia é dançada em roda e de maneira descontraída, mais sempre respeitando as tradições culturais. Apresenta-se da seguinte forma:
Músicos iniciam o ritmo do lundu e as pessoas que querem dançar aproximam-se entrando na dança. O sinal da viola é emitido e a primeira dançarina abre espaço no centro da roda que logo se forma com o grupo. Assim, ela inicia seus movimentos e convida alguém para acompanhá-la e depois substituíla. Esse alguém pode ser homem ou outra mulher, o convite é feito por gestos de batidas dos pés ou palmas diante da pessoa escolhida. Desta forma, a dança segue alternando os dançarinos.
No meio da roda os dançarinos realizam as movimentações marcantes do lundu, com rebolados, braços das mulheres para cima e dos homens para baixo, pernas fletidas e um sapateio em que a planta do pé bate no chão, ao ritmo da música. Se houver o convite de dança com umbigada faz-se uma algazarra no grupo, pois esse é momento da representação do ato sexual no movimento.
Indumentária
A dança do Lundu sofreu modificações no que diz respeito a movimentos e indumentária. Por ser muito praticada da Ilha do Marajó apresenta vestimenta característica da região. Desta forma, geralmente as mulheres usam saias longas, rodadas e estampadas com cores fortes, blusas branca, curtas e de rendas, utilizam também pulseiras, colares, brincos vistosos e flores para enfeitar o cabelo. Já os homens vestem-se com calças largas e brancas e bainhas enroladas nos pés, as blusas são de mangas compridas, enroladas na altura do umbigo e estampadas com desenhos marajoaras. Os pares apresentam-se sempre descalços. A vestimenta da dança do Lundu assemelha-se com a indumentária da Dança do Carimbó
Instrumentos Musicais
- Rebeca (Violino)
- Clarinete
- Reco-Reco
- Ganzá
-Maracás
- Banjo
-Cavaquinho

Carimbó

Carimbó  é uma sonoridade de procedência indígena, aos poucos mesclada à cultura africana, com a assimilação das percussões dos negros; e a elementos de Portugal, como o estalar dos dedos e as palmas, que intervêm em alguns momentos da coreografia. Originalmente, em tupi, esta expressão significa tambor, ou seja, curimbó, como inicialmente era conhecido este ritmo. Gradualmente o termo foi evoluindo para carimbó.
Esta dança teve sua origem no território de Belém, mais precisamente na área do Salgado, composta por Marapanim, Curuçá e Algodoal; e também se disseminou pela Ilha de Marajó, onde era cultivada pelos pescadores. Acredita-se que o Carimbó navegou pela baía de Guajará, pelas mãos dos marajoaras, desembarcando nas areias do Pará, justamente nas praias do Salgado. Não se sabe exatamente em que ponto desta região ele tomou forma e se consolidou, embora Marapanim clame pela paternidade desta coreografia, editando anualmente o famoso Festival de Carimbó de Marapanim.
De qualquer forma, esta cadência evoluiu para um formato mais moderno, inspirando decisivamente o nascimento da lambada e do zouk. Tradicionalmente este estilo musical era executado em tambores. Os tocadores golpeavam este instrumento, manufaturado com troncos de árvores, utilizando as mãos no lugar de pequenas varas. Eles eram secundados por reco-reco, viola, ganzá, banjo, maracás e flauta. Juntos, eles conferiam ao carimbó uma musicalidade original e voluptuosa.
Nas décadas de 60 e 70 guitarras elétricas foram acrescentadas aos tradicionais instrumentos, e a dança passou a receber forte inspiração de ritmos como o merengue e a cúmbia. Ao se disseminar pela região Nordeste do país, ela impulsionou o surgimento da lambada, que se difundiria por todo o Planeta.

Nas apresentações do carimbó os homens vestem blusas lisas ou mesmo estampadas, acompanhadas de calças sem estampas; eles não esquecem do lenço adornando o pescoço, do chapéu de arumã, e os pés ficam nus. As mulheres, por sua vez, trajam blusas que liberam os ombros e a barriga, para que fiquem visíveis, usam inúmeros colares e pulseiras confeccionadas com sementes que florescem na região paraense, sobre saias amplas ou franzidas, repletas de cores e estampas. Arranjos florais são dispostos sobre as cabeças, e elas igualmente dispensam sapatos.

A coreografia principia com os casais posicionados em filas, e então o homem acerca-se de sua companheira batendo palmas, sinal para que ela se considere convidada para dançar. Elas cedem e dão início a um volteio circular, constituindo simultaneamente um amplo círculo, movendo as saias, com a intenção de arrojá-las sobre a cabeça de seu parceiro.
A dança segue com uma das bailarinas lançando ao solo um lenço; seu companheiro, dobrado para frente e com os braços jogados para trás, simulando asas, abrem as pernas e se esforçam para apanhar o acessório com a boca, sem sair do ritmo. Enquanto isso a moça apanha a saia com as mãos, agita-a, como se ela fosse um peru, e todos cantam um trecho da música referente a este gesto: O Peru está na roda chô Peru. Tudo corre como se obedecesse, portanto, a um ritual pré-estabelecido, já memorizado por todos.

O Marabaixo: a dança típica do Amapá

Parecido com um ritual pagão com junção de aspectos da religiosidade, em devoção a santos católicos, surge o Marabaixo no Amapá. Tem semelhanças com a capoeira herdada dos ancestrais africanos e elementos que lembram dança, luta e teatro.
A festa Marabaixo é uma comemoração religiosa que acontece no Amapá, praticada por remanescentes de quilombos, os quais demonstram sua fé através da dança, do canto e do consumo da gengibirra, bebida feita à base de gengibre e álcool.

Os africanos, que chegaram ao Brasil na condição de escravos, trouxeram elementos da cultura de seus países de origem. Entre esses elementos culturais, a música e a dança foram fundamentais para a manutenção de uma memória da terra de origem e, ao mesmo tempo, para o estabelecimento de uma identidade.
Para que os senhores de escravos permitissem manifestações musicais e danças, os negros cativos incorporaram a elas aspectos da cultura branca, sobretudo aspectos da religião. Assim nasceu o Marabaixo, misturando tradições africanas aos rituais e crenças da religião católica.

O Marabaixo é uma festa religiosa em louvor à Santíssima Trindade e ao Divino Espírito Santo, realizada através de missas que misturam danças, músicas, ladainhas. As danças e músicas são improvisadas, originalmente, e devem representar a realidade vivida, o dia-a-dia de uma comunidade. Por representar situações cotidianas, o Marabaixo pode ser composto de movimentos que lembram lutas, como também movimentos que lembram a alegria, a tristeza e a paixão.

Os instrumentos utilizados são caseiros, confeccionados rusticamente de madeira cavada, transformada numa espécie de caixa imitando o som de tambores. Recebem o nome de membranofones. Participam negros e mulatos, em maioria, que respondem em coro a uma espécie de “desafio” tirado por um cantador ou cantadora, que lança os improvisos.

As festividades do Marabaixo se iniciam no domingo de Páscoa e terminam no dia do Divino Espírito Santo, ou seja, quarenta dias após o domingo em que se comemora a ressurreição de Cristo.

Como toda a tradição, o Marabaixo sofreu modificações ao longo dos anos. No entanto, um aspecto chama a atenção quando se observa esse ritual. De modo geral, as tradições populares perdem sua força nos espaços urbanos. Nessas áreas, o crescimento da população, as condições de trabalho e hábitos culturais que incorporam os avanços tecnológicos favorecem o esquecimento e, até mesmo, o abandono das tradições de origem de um povo.

Ao contrário do que, em geral, ocorre com as tradições populares, o Marabaixo, na atualidade, mantém-se vivo e importante em áreas urbanas. Na cidade de Macapá, capital do estado do Amapá, os bairros da Favela e do Laguinho são considerados redutos, guardiões da prática e dos ensinamentos sobre o Marabaixo.  Considera-se que a migrações de populações rurais para a cidade de Macapá foram importantes para a manutenção dessa tradição no espaço urbano da capital amapaense.

Ao mesmo tempo, o Marabaixo permanece como uma importante festividade na Vila do Curiaú, uma comunidade rural localizada a 12 Km de Macapá, onde essa tradição, muitas vezes, está ligada a práticas religiosas de origem africana. Em Curiaú, a maior aproximação entre o Marabaixo e essas tradições  pode ser explicada pelo fato de que essa vila está situada na área de um antigo quilombo.

Assim, diferente do que acontece com tradições como o Boi Bumbá, a festa do Marabaixo não pode ser considerada apenas rural ou apenas urbana. Alguns estudiosos da tradição do Marabaixo indicam que a manutenção dessa festividade está relacionada aos movimentos de valorização da cultura negra, que ganharam força no Brasil a partir da década de 60. 

Em 2004, o governo do Amapá instituiu, no calendário folclórico do estado, o Ciclo do Marabaixo. Essa medida fez valorizar e divulgar a tradição, chamando a atenção de turistas e levando as escolas a trabalharem essa festividade como um importante marco da cultura local. Ao mesmo tempo, diante do estabelecimento desse Ciclo, os praticantes mais antigos do Marabaixo argumentam que os valores básicos da tradição, ligados à religiosidade e à cultura negra, tornam-se menos importantes para os novos e jovens integrantes. Os antigos foliões chamam a atenção para o fato de que a bebida gengibirra, antes considerada um dos componentes do Marabaixo, tem se tornado o centro da festividade, sobretudo junto aos jovens. Essa mudança, para os praticantes tradicionais, é considerada uma perda para a cultura do Marabaixo.

fonte: http://173.203.31.59/Portal.Base/Web/VerContenido.aspx?ID=205772

Estado Laico brasileiro









Economia de Santana

No setor primário predominam a criação de gados bovino, bubalino e suíno, a atividade pesqueira e a extração da madeira, além da venda de produtos tipicamente nortistas (madeira e açaí, que contribuem também para o desenvolvimento econômico de Santana);


No setor secundário, Santana mantém sob o seu domínio o Distrito Industrial de Santana, cujo parque sofre constante ampliação. Entretanto, funcionam as empresas Flórida e Equador, e também as empresas Reama (que industrializa a Coca-Cola no Estado), Amcel (responsável pela plantação de pinhos e eucalipto), Anglo American (responsável pela extração de minério), dentre outras.


No setor terciário: comércio (Área de Livre Comércio de Macapá e Santana - ALCMS) e serviços contribuem economicamente. Os funcionários do serviço público são os que recebem as maiores remunerações, movimentando o comércio.

Atrações turísticas

Como atração turística, o porto de embarque e desembarque de produtos importados e cavacos de pinho, o porto flutuante de embarque do manganês pelotizado; a ilha de Santana, que fica do outro lado da cidade e que tem, inclusive, o balneário "Recanto da Aldeia", são bastante frequentada aos finais de semana, etc.

Lenda da "COBRA SOFIA"

O Boto Tucuxi apaixonou-se pela indiazinha, possuindo-a através de um encantamento.

Há muito tempo, em uma aldeia próxima à Ilha de Santana, vivia Icorã, uma índia de olhos cor-de-mel e muito linda. A beleza da índia, incomparável entre todas as mulheres da tribo, transformava em suplício sua felicidade. É que pela formosura Icorã era cortejada pelos bravos, ao mesmo tempo em que estava destinada ao Deus Tupã quando estivesse em idade apropriada. Prisioneira de sua beleza, a indiazinha vivia muito triste, rara vezes deixando a oca. Quando o fazia era para dirigir-se até a beira de um grande lago, à noite, para contar à lua seu sofrimento.
Certa noite, enquanto banhava-se ao luar, Icorã foi avistada pelo boto Tucuxi, que perdeu-se de amores por ela. Transformando-se em um cisne, Tucuxi aproximou-se da indiazinha, possuindo-a através de um encantamento. Meses depois Icorã sentiu a prenhez em suas entranhas e só então descobriu que aquele cisne lindo com quem brincara no lago era na verdade um boto.
Mortificada de remorsos Icorã embrenhou-se nas matas, permanecendo longe de tudo e de todos para ter a criança. Quando as dores vieram e a indiazinha teve seu rebento, deu-lhe o nome de Sofia e atirou a criança no lago, na esperança que esta se afogasse e ninguém tomasse conhecimento de seu pecado. Depois retornou à aldeia, como se nada tivesse acontecido.
O boto Tucuxi, arrependido do que fez, transformou a criança em uma cobra d'água, evitando assim sua morte. Muito tempo passou e certo dia, quando Icorã encontrava-se à beira do lago, sentiu as águas se revolverem e viu quando uma cobra imensa, de estranhos olhos cor-de-mel, deixou seu refúgio. Era a Cobra Sofia, que procurava águas profundas para acomodar-se. Os sulcos deixados durante o trajeto, dizem as lendas, formaram o Rio Matapí.
Sofia, acreditam os mais antigos, parou para descansar onde hoje fica localizado o antigo Porto da mineradora ICOMI, na área urbana do município de Santana. Há alguns anos (mais precisamente em Outubro de 1993), uma grande parte daquela plataforma desabou por força de uma misteriosa onda d'água que se formou no início do Rio Matapí e terminando na embocadura do Rio Amazonas. Dizem que foi a Cobra Sofia que moveu-se durante o sono.

Lenda do Boto Cor de Rosa

Conta na Amazônia, que os botos do rio Amazonas fazem charme para as moças que vivem em vilas e cidades à beira-rio.
Eles as namoram e, depois, tornam-se os pais de seus filhos!
No início da noite, o boto se transforma em um belo homem e sai das águas, muito bem vestido e de chapéu, para esconder o buraco que todos os botos têm no alto da cabeça (o buraco serve para respirar o ar, já que os botos são mamíferos e têm pulmões, como você). O rapaz-boto vai aos bailes, dança, bebe, conversa e conquista uma moça bonita. Mas, antes do dia surgir, entra de novo na água do rio e se transforma de novo em um mamífero das águas.




O boto verdadeiro

O verdadeiro boto é um mamífero da ordem dos cetáceos. Há um grupo deles que vive exclusivamente em água doce, de rio. O que vive na América do Sul tem o corpo alongado, de dois a três metros de comprimento. Tem grandes nadadeiras peitorais e cerca de 134 dentes. São cinzentos, mas clareiam com a idade e ficam cor-de-rosa!
Botos comem peixes e, às vezes, frutos que caem no rio. A fêmea tem um filhote, que permanece ao seu lado até ficar adulto.
Parece que as lendas sobre "botos-homens" só surgiram no Brasil a partir do século XVIII. Pelo menos, nenhum pesquisador encontrou registros mais antigos dessa lenda! Mas, na mitologia dos índios tupis, há um deus - o Uauiará - que se transforma em boto. Esse deus adora namorar belas mulheres.
Até hoje, mães solteiras na região do Amazonas dizem que seus filhos são filhos "do boto"! O olho do boto, seco, é considerado um ótimo amuleto para conseguir sucesso no amor. Se o homem quer conquistar uma mulher, dizem que ele deve olhar para ela através de um olho de boto. Desse jeito, ela não vai poder resistir - e vai ficar perdidamente apaixonada...

fonte: http://lendasdobrasil.blogspot.com.br/2010/10/lenda-do-boto-cor-de-rosa.html